quinta-feira, 21 de julho de 2005

A Bucólica Barra

Lugar não tão longe desta metrópole infernal, não tão perto que se possa simplesmente ir. Não há nada que lá o possa importunar. Algumas casas de veraneio, alguns pescadores e o mar. A brisa constante que sopra o dia todo, a areia vazia, o sol que brilha ao dia, calmo, sem querer aquecer muito, somente para consolar as almas perdidas que se aventuram a ir lá durante o inverno. Lugar bucólico e até mesmo melancólico, pois não há o que se fazer, e por isso mesmo é o lugar ideal. Imagens, sons, lembranças, fragmentos de memória perdidos em algum lugar do passado perpassam a mente tranquilamente, sem pressa, um fluxo contínuo. Embriagar-se de qualquer coisa que complemente o clima de perdição, entrega ao nada, torna-se necessário. Só, afastado, com a paz de espírito, resta caminhar pela orla marítima e acompanhar as andorinhas que vagam em busca de alimento. Não há pessoas. Não há comércio na beira da praia. Somente o mar e a areia. Sentar-se, fumar um cigarro, deixar a imaginação levar até onde a mente entorpecida pode ir. A noite, o frio e o vento trazem novos ares. Uma fogueira para aquecer, céu estrelado de inverno que na metrópole não há. Deitar-se na areia gelada, olhar para o céu e imaginar formas a partir dos pontos de luz que estão lá. Nada que possa excitar. Somente se apagar e entregar-se ao clima bucólico, fugir da louca realidade da metrópole. Dos carros alucidados, prédios cinzentos, maníacos em potencial vagando pelas ruas turbulentas. Das rotinas fatigantes, do tempo sempre curto e fugaz, das pessoas prontas a implodir e explodir o mundo a sua volta. Na Barra nada disso existe. Só o mar.

Trilha Sonora: Mogwai - Young Team (album)

Um comentário:

Afo disse...

Sei muito bem como funciona!! Bucólica Barra!!!

e o Mofo??? será hoje um líder local??

abraço