quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Redemoinhos

Trilha Sonora para este Post: 
Sol no escuro by Fabio Góes on Grooveshark


A vida e seus redemoinhos. Movimentos que vão e voltam, nos jogando quase sempre ao centro, e algumas
vezes às beiradas. Ao centro tudo é mais tranquilo. Vê-se tudo e tem-se a impressão de se estar no controle. E às vezes é uma mesmice só.

Mas é na beira que se entra em contato com outros corpos, com o estranho. Pode-se chocar com outros redemoinhos e desse encontro surgir algo novo. Saí-se do conforto do centro, desestabiliza-se.

Tem dias que quero apenas ficar em meu centro. Não quero nada e ninguém perto de mim. Deixe-me apenas estar aqui e permanecer. A angústia trava qualquer movimento. Parece menos doloroso, a sensação é de estar mais protegido, mais distante de possíveis rotas incertas. Mas corre-se o risco de estagnar, ficar preso a um mundo certo, porém limitado. A mesma angústia que te trava alerta para o risco da morte. 

Se ficar é fácil, sair não é tão simples. Procurar caminhos, rotas e possibilidades se faz necessário. É incômodo, as vezes o redemoinho te joga longe, e com muita força. O choque com o desconhecido pode ser brutal. Mas é preciso enfrentar os riscos e aceitar o que vier. Caso contrário resta apenas ver o mundo girar à sua volta.

Trilha Sonora: "Sol no Escuro" - Fabio Góes; "Venus in Furs" - The Velvet Underground.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Da Existência à Essência


Entre sonhos e devaneios vou tentando achar o que há de real em mim, 
onde no meio disso tudo eu simplesmente existo. 
Realidade torta e malfadada.

Há no cotidiano um misto de complacência e entrega ao simples devir. 
Reflexão. Por quê? E para o quê?
A vida simplesmente insinua possíveis caminhos, deixando-nos à livre escolha. 
Há realmente apenas uma opção que possa ser escolhida? 

Caminho entre fendas aleatórias e caminhos pré-estabelecidos. 
A cada tropeço volto atrás e penso: não poderia ter sido diferente? 
E se naquela queda eu tivesse escolhido apenas cair e entregar-se? 
Quando devo reconhecer que foi uma derrota e devo aceitar? 

Vida cheia de respostas não dadas.
A experiência supera a essência, até onde? 

Há uma natureza da qual eu fujo e sempre acabo voltando. 
Posso realmente acreditar? 
Dúvidas que servem apenas para tentar fundamentar o que já está dado.
Dependerá do que eu puder conciliar e até certo ponto conformar.


Trilha Sonora: "Hey You" - Pink Floyd; "Talking Shit About Pretty Sunset" - Modest Mouse; "Paper Boats" - Nada Surf.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ao Nada

Tento escrever sobre um vazio que de tempos em tempos abate-me.
Uma vontade que remete ao nada, 
à ausência de todo e qualquer sentido.
É a inércia do corpo somada ao desejo de esvaziar a mente.

Pode ser uma luta, mas uma luta sem razão ou motivos.
É algo como um querer ser o que não se é,
ir contra uma natureza que as vezes se demonstra impassível.

Deve haver alguma essência ai,
mas não é ela que se busca conhecer.

Busca-se fugir.
Não corresponder a este lugar que de alguma forma lhe foi conferido,
seja por seu desejo,
seja pelo trágico destino.

Desejo agora, apenas, apagar.
Desaparecer, nem que seja por um mísero instante.
Sustentar isso que não sei o que é, pesa.
E muito.

Saudades dos momentos de leveza,
de sonho e imensidão.

Agora apenas o silêncio
e um desejo que não cede ao real.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Minha Musa Inspiradora

Trilha Sonora para este post:
True Love Waits by Radiohead on Grooveshark

Todo homem necessita ter a sua musa inspiradora. E esta não é uma mulher qualquer. Ela é especial em todos os sentidos. Consegue enfrentar todas as diversidades da vida mantendo a doçura e sensibilidade. Se aparenta em certos momentos fragilidade, em outros é capaz de derrubar muros para conseguir o que quer. Sua beleza extrapola a aparência física. Internamente revela um mundo fantástico de qualidades e desejos. Por vezes confusos, principalmente a vista dos homens e sua pobre percepção. Toda mulher deve ser assim? Não, mas a minha musa é. E muito mais.

Inicialmente ela me arrebatou com sua beleza: lindos olhos azuis, pele alva e delicada, boca desenhada em lábios carnudos. Pela descrição poderia ser esnobe e gabar-se de possuir tantos atributos físicos. Mas não. É tímida e geralmente calada. Porém quando fala sabe o que diz. Esconde dentro de si uma personalidade forte, idéias convictas, valores de que não abre mão. É honesta, consigo e com os outros. Talvez até cobre demais de si uma perfeição que já a possui. 

Tem um coração tão bom e uma pureza que talvez não se encontre mais nos dias de hoje. Ama a todos com uma espontaneidade que assusta. E ela me conquistou assim, revelando-se aos poucos e sem medo de entregar-se. Por muitas vezes questiono-me se mereço tudo isso, se Deus não errou um pouco na retribuição!

Nossos destinos cruzaram-se quando ambos não acreditavam mais que um dia pudessem conhecer alguém que os completasse, que fosse capaz de dividir os sonhos e as angústias, de se dar as mãos e procurar um rumo juntos. E isto aconteceu de uma forma tão natural que era como se fosse apenas o destino da vida realizando-se. Não houve promessas de amor eterno nem a loucura de uma paixão desordenada. Houve constatações, confirmações de que era para ser para sempre.

Hoje ela é minha companheira, minha amiga, a amante perfeita e esposa dedicada, a pessoa quem mais eu confio e que me conhece por inteiro, do jeito que sou, sem querer mais nem menos. Ela é linda em todos os sentidos, uma alma pura, um anjo, a pessoa com quem quero viver o resto de meus dias e traçar um futuro lindo, cheio de planos e realizações. E haja o que houver eu estarei com ela. 

Certo dia eu sonhei com a música do Radiohead que dizia que o verdadeiro amor espera. E eu esperei. E ele chegou, e hoje vivo com ele, meu real e verdadeiro amor: Hilda Felsinger Carneiro Stacechen.

Parabéns meu amor, por seu aniversário e por ser a pessoa que é. Esse é apenas mais um dos muitos aniversários que passaremos juntos. Te amo mais que tudo!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Fake Plastic World

Trilha para este post:


Como querer adequar-se a um mundo em que tudo torna-se superficial, efêmero e aparente? As formas sobrepõe-se aos conteúdos. Seres humanos ganhando o aspecto de semblantes. Fogem da vivência de uma existência autêntica para assumirem a forma de um avatar, construído apenas com imagens criadas idealmente e constantemente projetadas para o outro observar, desfrutar e logo depois descartar. 

Querem ostentar o que não são, apresentar apenas o "seu melhor". Não há espaço nem tempo para erros, defeitos e desvios de uma normalidade rigidamente construída e consumida por todos. Os fluxos constantes de informação virtual sufocam, entopem todos os sentidos com imagens, sons, e todo tipo de dados. 

Conectados? Com o quê? À uma nuvem?

Vícios novos, vícios cada vez mais inúteis que já não sustentam o sujeito, o levam a uma autodestruição. Busca-se o sentido onde não há algum. Na tradição, religião, ideologias? Faliram há muito. Ai só há destroços, pequenos suportes frágeis e momentâneos. 

O excesso de informação leva apenas a ignorância. Sabe-se muito pouco sobre tudo. E julga-se tudo a partir desta ignorância-pretensa-inteligência. E mais, é obrigatório divulgá-la. "É o meu ponto de vista!". As individualidades exacerbadas diluíram o senso social. Se não se consegue o olhar-para-si-mesmo, imagina para-um-outro? Alteridade? O que é isso?

São apenas os tempos atuais. Fake plastic world


Trilha Sonora: "Fake Plastic Trees" - Radiohead; The National "Sad Songs for Dirty Lovers" - álbum.