quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Melancholia - parte I

Duas da tarde. Copo de conhaque pela metade. No cinzeiro cheio um cigarro queima. Apoiado no balcão, olhando para o mar, Carlos perde-se. Pensamentos, imagens, dor, alegrias.Tudo surge ao mesmo tempo. Chove bastante, um friozinho que até lembra o outono, apesar de ser verão.

A praia está vazia. Trata-se de um balneário distante de difícil acesso que fica vazio a maior parte do ano. Carlos foi para lá justamente para não ver ninguém. Queria escrever, escrever muito. Há meses sentia a angústia o corroer e não manifestava nada. Calou-se.

Os dias passavam arrastando-se. O álcool o alimentava constantemente. Em alguns dias perdeu totalmente o senso de tempo. Não havia relógios nem calendários. O celular foi jogado no mar. Ninguém sabia para onde ele havia se mudado depois que largou o emprego. Estava realmente só.

As vezes acordava de madrugada achando já ser dia. Pegava uma folha, uma bebida e começava a escrever. Houve um dia que escreveu mais de oitenta páginas compulsivamente. Foram alguns meses assim. Praticamente não saia de casa, somente para comprar bebidas, cigarros e alguma comida. 

No auge da bebida tinha delírios terríveis. Imagens do passado, vozes e pessoas que a tempo não via iam o visitar. Conversou com seu pai que há 10 anos havia falecido. E o pior, a risada das crianças e a voz de Julia que não parava de chamá-lo.

Um comentário:

Tayná disse...

olá, nem faço ideia de como me encontrou, mas estou feliz pelo fato... Já estou seguindo aqui e mais tarde vou acabar devorando seus textos rs.

Será sempre bem vindo la no Estantes, obrigada por seguir.

até breve.