quinta-feira, 23 de julho de 2009

Anesthesia

Há um paradoxo na anestesia. Em um tratamento dentário é a infiltração de uma substância analgésica no local onde se pretende tratar. Ela é utilizada para que o paciente não sinta a dor provocada pelas brocas e outros instrumentos assustadores. Porém a sua aplicação é através de uma injeção diretamente na gengiva, causando uma "picada" horrível. A dor da picada é muito mais psicológica do que físiológica, ao ponto de haver pessoas que preferem fazer o tratamento sem anestesia - o caso de minha mãe, por exemplo.

O paradoxo é justamente esse: uma dor pequena para anular uma dor maior, mesmo assim, alguns preferem encarar a dor maior sem aditivos. Eu lembro de uma música muito curiosa do Metallica - minha banda favorita na adolescência - que era um solo de baixo com distorção e que chamava-se "Anesthesia (Pulling Teeth)". A sonoridade desta música faz referência a um tratamento dentário, e parece representar o que é subjetivamente a anestesia para o autor: algo etéreo, entorpecedor, porém perturbador.

É assim que me sinto em um tratamento dentário. A anestesia dói um pouco na picada, tudo se amortece e você não sente mais os procedimentos. Porém você não vê a hora daquilo acabar, daquele som da broca sumir e sair logo dali. É um processo que mesmo sem dor é assustador. Mas você encararia tudo sem a anestesia?

Mesmo aqueles que preferem sem anestesia, há procedimentos que não é possível sem. Não há pessoa que suporte um estímulo doloroso tão grande. E se há situações em que ainda é possível escolher com ou sem anestesia, surge a dúvida.

8 comentários:

Anônimo disse...

acho q quem ta precisando de algo lisergico hoje sou eu...
qualquer coisa q me deixasse anestesiada.
Nati

Anônimo disse...

Vc ja pensou q existem formas "agradáveis" e "nao-agradáveis" de ficar assim, anestesiado?
sexo deixa a gente anestesiado. pelo menos, as vezes.
e existem as formas sintéticas. para evitar a dor. como vc citou. mas para sentir o corpo, a mente. william bourroughs escreveu sobre isso em Almoço Nu. Vc leu? tem um filme, baseado no livro tambem do d. cronnember, com uma traduçao horrorosa para o portugues, algo do tipo Misterios e paixoes ou algo assim.
E nao é a droga pela droga. Mas é a experimentaçao. A sensação.
Já usei algumas drogas mas hoje só alcool. E olha la. mas ainda me anestesio com algumas leituras. com musica. hoje especialmente entediada. nada me anestesia. vontade de sair por aí, correndo. nada me impede. mas me sinto paralisada. nao anestesiada.
beijo!

Psicoalcoolista disse...

Realmente o texto é sobre o fato de que nem sempre anestesiar-se irá fazer sumir a dor. Eu escrevi pensando em drogas sintéticas legalizadas, como anti-depressivos e ansiolíticos, que eu nunca usei e estava curioso. Pensei em como seria enfrentar as dores da vida com drogas assim? Sobre o livro do Burroughs nunca o li mas sempre quis, assisti o filme, que é um dos mais doidos que já vi. O Cronemberg foi o diretor ideal para esse texto, talvez o David Linch pirasse demais. Beijos

Anônimo disse...

O livro é bem bacana, vale a pena. Sim! o filme é muito bom,principalmente a cena da maquina de escrever, nao sei se vc lembra...
e me faz lembrar de outro filme: Crash. Nao esse novo, que nem vi. Um outro, antigo, do cronemberg (agora escrevi certinho!), q aparece como Cras, estranhos prazeres. Lembro q vi esse filme ha um tempao atras e q ele tem uma temática sobre perversões sexuais meio bizarras, mas o fetiche são desastres de carros. Nao sei se viu, mas falando assim,pode parecer estranho, talvez meio bobo, mas conduzido por esse diretor, é tudo estranho. Veja Gemeos,morbida semelhança, ô filme estranho. Mas eu gosto do jeito q ele conta essas coisas estranhas. O D Lynch, eu gosto muito. Mas é diferente! O Cronemberg é mais cruel. O Lynch mais onírico. Acho q o Lynch me faz mais feliz!
faz tempo q nao vejo um felme do cronemberg pra falar a verdade.
Gosto de jogar conversa fora com voce!
Nati.

Anônimo disse...

ha. falei desse lance do Crash, estranhos prazeres, por conta do papo sobre lisergia acima ta? nao sei se fiz a relacao como deveria mas era esse o link aqui na minha cabecinha rs rs

Psicoalcoolista disse...

Assisti Crash sim, é um dos filmes mais bizarros que assisti também. Lembro me que o filme tinha um clima de tensão sexual muito grande. O Cronemberg lida muito bem com esses temas extremos. O último que assisti dele foi o Senhores do Crime, o mais "normal", porém muito bom. O meu preferido é Spider - desafie sua mente. Se não assistiu esse não perca. É sobre psicose, muito bom. Também gosto muito de jogar conversa fora com você. Gostaria de conversar mais. Meu msn é luizfst@ibest.com.br , se tiver afim me adiciona. Beijos

Anônimo disse...

Ai que invejinha. Nao vi os dois filmes q vc citou. Por outro lado, acho q nao estou num bom momento para ve-los, mas ficou anotado aqui como dica. Vou te add no msn!!!
beijos!
o texto lá de cima ta parecendo roteiro de curta meio trash...(risos)
nati.

Psicoalcoolista disse...

Realmente, não é todo dia que é bom assistir um filme do cara. Depende muito de como estamos. Eu por exemplo, agora não consigo assistir qualquer comédia romântica - bem que nunca gostei do genêro, mas devido ao atual momento evito. E sobre o post de cima, realmente a intenção era essa: um melodrama trash!