terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Retorno

Tentar um reencontro. Uma volta à algo tão próximo e que por um tempo se perdeu. Um retorno ao Eu. O fluxo de consciência não funciona mais. Um esforço para que as palavras simplesmente surjam. Cada movimento é contido, pensado, se busca uma pretensa fluidez no discurso. Soa falso. A tensão aumenta ao tentar forçar o sentido. Por muito tempo eu quis fugir disso. Cada vez fica mais dificil se aproximar do afeto. A alienação é facilmente buscada e tomada por ela, tudo parece simples. Após ter se entregado ao nada e ser tomado por um sentido de perdição, fico tentando retornar. Uma volta a si mesmo, ao o que eu imagino ser esse Eu-mesmo. E isto é tão dificil. Tão facil somente deixar-se ao nada. A imagem da ilha não sai da minha cabeça, e até agora tento achar sentido e palavras para compreender o que se passou. É a realidade, é a ela que procuro, justamente de onde eu quis fugir e que agora não posso mais.

Trilha Sonora: Yann Tiersen & Shannon Wright, "Dried Sea"; Yann Tiersen, "Rue des Cascades/Le Parade".

2 comentários:

Ana P. disse...

É complicado. O auto-conhecimento é complicado, falar sobre isso é complicado, escrever é complicado. Mas escreva, mesmo que forçadamente, pq uma hora a escrita e o sentimento fluem, com mais facilidade, pra fora da gente, que é afinal onde ele tem que viver.

E... bem, como diria Anitelli "se vou pra frente, coisas ficam pra trás: a gente só nunca sabe que coisas são essas".

E tem muitas vezes que é melhor não saber.

Psicoalcoolista disse...

Isso me lembra uma frase famosa do João Cabral, de que ele não se considerava poeta, por que os poetas são 70% inspiração e 30% transpiração (as porcentagens não lembro se são essas mesmo), e que ele era um trabalhador das palavras, funcionando com 30% de inspiração e 70% transpiração...
Eu acho que funciono um pouco assim, bem longe de querer me comparar com a genialidade de João Cabral.