segunda-feira, 19 de março de 2012

Paralisia


Tudo está longe. Os pensamentos, a consciência. Tento recompor-me, sair de um sonho acordado. Ausência de sentimento, sentidos confusos. Desorientação. A mente insiste em vagar, perder-se, e eu numa tentativa fracassada de voltar-a-ser. Mero esforço. Vontade de entrega. Desilusão. O sol de outono e a leve brisa fria levam-me adiante, quando tudo parece paralisar-me...




sábado, 17 de março de 2012

I know I could

"I feel stained and I'm in pieces
In my mouth the sad taste of the past I had
A thousand wasted kisses
But another glass
And a cigarette
Just anything
To help forget the things that
Every day I still find missing"
(Drugstore "I know I could")




Sábado a tarde. Outono de 2007. Após uma noite de bebedeira, um jovem deita-se em sua cama e passa a projetar seu futuro. Imagina-se em um outro lugar. Já não há mais dor. Está aparentemente feliz. Já não depende de ninguém. As amarras foram cortadas. O clima ainda é frio, mas há calor por onde anda. Humano? A solidão que tanto o apavora está longe dali. Vê possibilidades, caminhos, escolhas a serem feitas. A tristeza ainda existe, mas de maneira amena, como deveria ser. Ele se vê realmente vivendo e é isso que importa. Não interessa se é uma vida plena ou uma felicidade eterna. É uma vida que pode ser vivida. Construída com seus percalços e nuances. Não é fuga. Não é isolamento. É o começo de tudo. E o jovem respira aliviado, mesmo sabendo ser apenas um sonho projetado para o futuro, pois acredita que aquele sonho é o primeiro passo para   viver tudo aquilo.

Trilha Sonora: Drugstore - "I know I could" e "Never come down", do álbum "White Magic for Lovers".

terça-feira, 13 de março de 2012

O sonho, a análise e a realização


Ele estava novamente no 2º grau, como estudante, só que agora iria dar uma aula para seus colegas. É um auditório enorme e há muitas pessoas. Primeiro o data-show não funciona de jeito nenhum. Depois seu notebook falha e não consegue visualisar a aula que preparou. Sente-se constrangido, inseguro, temendo que não consiga dar aquela aula. A sensação é de angústia. Procura de todas as formas consertar aquela situação, que no sonho vai desembocar em alguma outra cena esdrúxula que já não se recorda mais.

O velho cenário da adolescência, o colégio, a ansiedade e a insegurança. O sonho remete aos sentimentos vividos naquela época. Ao garoto fechado, calado, tímido e principalmente inseguro. Uma mente inquieta que sufocava de tanto pensar, imaginar, criar. Uma vontade enorme de realizar-se e ao mesmo tempo barreiras infindáveis a serem derrubadas. Uma fé no conhecimento, na razão, e uma inabilidade tremenda em lidar com os afetos, que àquela altura da vida explodiam dentro de si.

O garoto cresceu, aprendeu a falar e a manifestar um pouco daquele universo que havia criado para si. Quis mostrar ao mundo para o quê veio. Gosta de compartilhar o que em anos e anos de curiosidade e fascínio pelo saber o fizeram ser o que é hoje. Hoje aceita melhor a profusão de sentimentos que estouram seu peito e inebriam sua mente. Permite-se sentir, entrega-se com dificuldade mas está aberto ao mundo da experiência.

Sente-se amado e valorizado por aqueles com quem se relaciona. Sente poder oferecer conforto e paz à almas que ainda sofrem por não se conhecerem como ele. Fala e entende coisas que para muitos são dificílimas e a faz de tudo para torná-las fáceis e compreensíveis para aqueles que se dispõe a ouvir.

Agora é homem convicto de seus ideais e valores, ciente do caminho que deve seguir e que já o faz. O futuro não está tão distante. Mas há algo do garotinho tímido que persiste em voltar à memória. Seja para mostrar que nem tudo resolveu-se ainda, que o garoto existe ainda dentro do homem, seja para provar que o passado sempre está presente para não deixarmos esquecer quem fomos, e principalmente o caminho tortuoso que é vir-a-ser.

E este sonho aconteceu justamente na noite posterior a uma realização: após a sua primeira aula como professor da pós-graduação, que depois de alguns momentos de ansiedade e insegurança, ocorreu da melhor forma possível.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Preguiça

"I didn't go to work for a month
I didn't leave my bed for eight days straight
I haven't hung out with anyone
'Cause if I did, I'd have nothing to say

I didn't feel angry or depressed
I didn't feel anything at all
I didn't want to go to bed
And I didn't want to stay up late"
(Modest Mouse - "Whenever you breathe out, I breathe in")




A preguiça corrói meus ossos. Uma estagnação constante, vontade de não-movimento. Quieto, parado e escondido. Esconder-se do quê? Do que é a sua própria vida? Pura contradição. E não é a contradição a própria essência da vida?

Deveria apenas agir, escolher um rumo e seguir. Mas algo trava, puxa-me para o nada. Pura inércia. E sendo assim um pequeno empurrão serviria para colocar o corpo em movimento contínuo, até que outra força o parasse. Mas falta também esse estímulo.

Na real hoje não quero outra coisa a não ser parar. Comecei o dia já querendo que ele acabe. E quando o dia começa assim, dificilmente acontece algo para mudar esse estranho rumo.

Quando apenas esperamos que algo mude a nossa sorte, quando somente lançamos nosso destino ao por vir, dificilmente algo acontecerá. Parece mentira, mas uma pequena partícula nossa de vontade e motivação altera a ordem do mundo. Pelo menos nosso mundo passa a funcionar, assim como apertamos a tecla de força de um notebook e o sistema se inicia. Sem esse mínimo esforço o computador nunca iria ligar-se e começar a funcionar.  

Trilha Sonora: Modest Mouse "Whenever You breathe out, I breathe in".

Obs.: o velho Modest Mouse volta a tocar por aqui, companheiro de muitas fases de tédio e preguiça!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Leveza

Mente vazia, praticamente livre de pensamentos.
Vida que passa sem querer passar.
Sigo apenas acompanhando o fluxo.
E assim vou levando-me.

Já foi bem mais difícil.
Torno o agora fácil.
É estranho não ter expectativas?
Elas nunca ajudaram.

Será que o ano já começou?
Não o sinto mais.
Deve ser o devir.
Que já não avisa mais.

Tenho medo de perder-me.
Neste ritmo que quase não pulsa.
Mas é bom, não é ruim não.
Até quando?

Trilha Sonora: The National "High Violet" [2010].