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quinta-feira, 21 de março de 2013

[Conto] A Woman Left Lonely Again

Trilha Sonora para este post:
Ela partiu sozinha novamente. Acordou de sonhos horríveis e decidiu apenas viajar. A realidade estava a torturando demais. Em meio a um delírio teve a ideia de ir a Foz. Sempre sonhara conhecer as Cataratas. Desde que o pai a deixara na Rodoviária de Paranaguá, aos sete.

Foram tantas coisas nestes anos. Foi a Mãe adoecendo e caindo aos seus braços. Pedro que nunca mais viu.  Como será que ele está? Grande? Bonito?

O que é minha vida? No que se transformou?

Lembrou de quando era uma garotinha e a última imagem do Pai, fumando um cigarro enquanto prendia o gado. Eram tão felizes. Sua Mãe não. Ao chegar na cidade veio a perdição. Promessas e encantos, jovens e velhos. Tudo era novidade. A Mãe cada vez mais infeliz. O Pai e o Bar.

Perambulando pelas ruas conheceu tudo. O Inferno e o Céu estavam ali, tão próximos e fugazes. João foi o primeiro. Depois veio Francisco, o Velho. E Papai, onde estava?

Foi a primeira vez que partiu, e o seu coração junto. Queria a vida, os infortúnios e a felicidade. Podia ser a dor, mas era a liberdade, acima de tudo, o que buscava. 

Andou e andou por ai. Rodou os tantos cantos deste país. Conheceu Maria e também a Solidão. Parou no Hospício, por três anos, e ali desconstruiu tudo. Achou seu Pai, seus Fantasmas e o Diabo. Saiu. Viajou, novamente, demais.

E agora, indo novamente, onde dará?

Trilha Sonora: "Jukebox", álbum - Cat Power. "Woman left lonely" - Janis Joplin.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Little Girl Blue




"I want you to count, oh, count your fingers,
Ah, my unhappy, my unlucky
And my little, oh, girl blue.
I know you're unhappy,
Ooh ah, honey, I know,
Baby, I know, just how you feel".

"Little Girl Blue - Janis Joplin"






Ela sonhava  com o amor perfeito. Tinha apenas 16. Tudo era novo e intenso. As vezes por demais. Sentia-se diferente. E embora isso seja algo que todo adolescente em algum momento já sentiu, com Flávia parecia um sentimento real demais . Não sabia explicar. Era uma apreensão estranha, uma sensação de não se encaixar a nada e de não pertencer a lugar algum. Não era apenas uma época de maturação e uma fase de transição. Era incompreensão. Total.

Suas amigas estranhavam quando sumia. Às vezes era por horas. Ficava à beira do rio, olhando fixadamente para o horizonte. Em sua mente fervilhavam idéias, sonhos e desejos. Um mundo todo a ser descoberto. Mas ao mesmo tempo tudo estagnava.

Não se dava com sua família. Os pais sempre fora. Um ou outro almoço de domingo. Suas amizades logo desistiram dela. Restava os cd's de Janis Joplin e uma garrafa de conhaque guardada debaixo da cama. Foram muitos sábados assim. O cigarro queimando entre os dedos. Estrelas a contar. Little Girl Blue...

Trilha Sonora: Janis Joplin "Little Girl Blue"; Legião Urbana "Depois das 6".

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mulher

Aquele homem abusou de mim. Arrancou minha roupa, rasgou minha calcinha. Deixou-me nua naquela escuridão.

Invadiu meu corpo todo. O percorreu, centímetro por centímetro, com sua língua exploradora. Bebeu todo o meu líquido. E quando eu não agüentava mais, penetrou-me sem dó. A cada investida eu perdia um pouco de consciência – e de minha decência.

Eu já fui pura, juro que tentei. Até aquele dia nenhum homem havia me possuído assim. Eu não deixava – eles não eram capazes disso. Eu era toda “fechadinha”, orgulhava-me disso. Tão tímida.

Tentei ficar quietinha, nunca fui de escândalo, mas não suportei a intensidade. Gemia sem controle – e ele percebendo, aumentava a velocidade. Falava palavrões, chamou-me de todos os nomes sujos possíveis. Levei tapas, puxões de cabelo, mordidas em todo o corpo. Isso foi demais para mim. Começou com um leve tremor. Senti meu corpo todo amolecer, achei que ia morrer. Eu não tinha mais domínio sobre o meu corpo. Ele poderia fazer o que quiser de mim, pois não tinha força, nem vontade, de parar com aquilo.

Quando eu achei que tudo havia acabado, esparramada na cama - podia sentir todo o meu líquido saindo de dentro de mim - ele não havia terminado. Puxou-me pelo cabelo, o introduziu todo em minha boca. Senti-o pulsando. Parecia que ia explodir. Ele segurou minha cabeça e fez-me beber todo o seu néctar – era docinho. Deitei em seu peito e, pela primeira vez, senti-me mulher.