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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Pós-modernizices

Escrever tem sido uma tortura - uma necessidade e uma tortura. Os tempos atuais são de um predomínio cada vez maior da compactação ou contracção (na falta de uma palavra melhor). Ser mais objetivo o possível. Poucas palavras, de preferência, em linguagem "compacta", provinda da internet. Não se trata de apenas uma consequência da rapidez  com que as informações circulam hoje, como todos pseudo-teóricos e semi-profetas da "era digital" costumam descrever a era atual. É falta do que pensar mesmo. E para escrever é necessário pensar, criar, tirar de algum lugar significantes que consigam se aproximar do sentido buscado. E isso exige esforço, e atualmente, para mim, um esforço brutal.

Sair da inércia estrutural que engloba a tudo e a todos. Tudo está pronto, ali, perto de você. Não há mais diferenciação entre criadores e criaturas - há de salientar que aparentemente só há criaturas, os criadores são virtuais ou ausentes. Como já disse o mestre Chico Science: "computadores fazem arte. Artistas fazem dinheiro". 

Toda essa embromação pós-moderna para dizer que não consigo escrever. Não consigo pensar. Tenho dificuldades em apreciar um filme como obra de arte - aqueles poucos que encantam pelas imagens e fotografia e fazem pensar pelo enredo meticulosamente pensado e estruturado. Ouço ainda muita música. Parei de buscar tantas bandas novas. Sinto que preciso de um espiríto de síntese, o que não significa cortar mais ainda o que se produz hoje, pelo contrário, seleccionar melhor o que ouço, leio, assisto. Pois se produz muito hoje, e justamente por isso estamos cada vez mais perdidos, sem referenciais, o que nos leva cada vez mais a consumir muito (leia-se baixar muitos discos, filmes, etc) e não entender nada.

Já escrevi demais para um post sobre a dificuldade em escrever. Falar sobre pós-modernizices é fácil, pois a própria pós-modernidade é um conjunto de definições absurdas sobre a dificuldade em se definir. 

Trilha Sonora: Nada Surf "The Weight is a Gift" album; Yann Tiersen & Shannon Wright.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Retorno

Tentar um reencontro. Uma volta à algo tão próximo e que por um tempo se perdeu. Um retorno ao Eu. O fluxo de consciência não funciona mais. Um esforço para que as palavras simplesmente surjam. Cada movimento é contido, pensado, se busca uma pretensa fluidez no discurso. Soa falso. A tensão aumenta ao tentar forçar o sentido. Por muito tempo eu quis fugir disso. Cada vez fica mais dificil se aproximar do afeto. A alienação é facilmente buscada e tomada por ela, tudo parece simples. Após ter se entregado ao nada e ser tomado por um sentido de perdição, fico tentando retornar. Uma volta a si mesmo, ao o que eu imagino ser esse Eu-mesmo. E isto é tão dificil. Tão facil somente deixar-se ao nada. A imagem da ilha não sai da minha cabeça, e até agora tento achar sentido e palavras para compreender o que se passou. É a realidade, é a ela que procuro, justamente de onde eu quis fugir e que agora não posso mais.

Trilha Sonora: Yann Tiersen & Shannon Wright, "Dried Sea"; Yann Tiersen, "Rue des Cascades/Le Parade".