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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Comes a Time

"I'm on the outside of love
Always under or above
I can't find my way in
I try again and again"

(Nada Surf - "Inside of Love")

E naquela noite eu não beijei aquela linda garota. Eu estava mal. Um coração mordido e ainda muito magoado. Mas ai surgiu aquele sorriso lindo. Aqueles olhos azuis que paralisam. Seu jeito meio desconcertado encantava-me. Passei a noite toda falando muito, querendo convencê-la de que eu era interessante. E ela apenas sorria. Apresentava e escancarava aquela doçura toda. Como nenhum homem percebeu isso até hoje? – Eu me perguntava incrédulo. Este ser existe?

Existe, e hoje vive comigo. Mas naquela noite eu achava-a impossível. Não era para mim, tudo aquilo. E ela sorriu por muitas outras vezes. E eu queria acreditar que era para mim. No fim da noite, após tanto papo e encantamento, eu tentei. Ela virou o rosto. Nessa hora eu caí. Era tarde demais. Aquele sorriso não voltaria a sorrir para mim.

Fui para casa. Dirigindo e ouvindo Nada Surf. Era “Comes a Time”, a música mais triste deles. E cheguei decepcionado comigo mesmo. Por que não consegui beijar aquela linda garota?

Talvez fosse destino. Até hoje eu não sei. Mas eu beijei ela depois. E foi mágico. Dali em diante, a história encarrega-se de contar isso. Mas naquela noite, na fatídica noite que eu não a beijei, eu pensei que tudo havia acabado. E era só o começo de tudo...

terça-feira, 26 de março de 2013

Consciência/Ausência



Trilha Sonora para este post:

Tudo tão quieto. Tem dias que minha mente voa tão longe que chego a ouvir o silêncio das alturas.   

Como se flutuasse na imensidão azul e apenas o lento passar das nuvens dispersasse minha atenção.

Perco-me nesta ausência de sentidos e quando me dou conta estou ainda aqui, na terra, realidade mundana. Sei que é uma maneira de ausentar-me e fugir de minhas pequenas obrigações. É um “deixar-de-ser-a-si-mesmo” momentâneo, espaço temporal necessário para recomeçar tudo de novo.

É sempre assim, e tenho plena certeza disso. Já conheço o roteiro, as fugas rápidas da realidade e a entrega em livres pensamentos. Memórias antigas, sensações atuais e desejos futuros misturam-se constantemente. Gostaria de poder relatá-los, mas logo os perco na troca por tantos outros.

E assim a minha segunda-feira passa, mesmo com toda procrastinação e o lento arrasto das horas. 

Trilha Sonora: Nada Surf "Neither Heaven Nor Space".

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Pós-modernizices

Escrever tem sido uma tortura - uma necessidade e uma tortura. Os tempos atuais são de um predomínio cada vez maior da compactação ou contracção (na falta de uma palavra melhor). Ser mais objetivo o possível. Poucas palavras, de preferência, em linguagem "compacta", provinda da internet. Não se trata de apenas uma consequência da rapidez  com que as informações circulam hoje, como todos pseudo-teóricos e semi-profetas da "era digital" costumam descrever a era atual. É falta do que pensar mesmo. E para escrever é necessário pensar, criar, tirar de algum lugar significantes que consigam se aproximar do sentido buscado. E isso exige esforço, e atualmente, para mim, um esforço brutal.

Sair da inércia estrutural que engloba a tudo e a todos. Tudo está pronto, ali, perto de você. Não há mais diferenciação entre criadores e criaturas - há de salientar que aparentemente só há criaturas, os criadores são virtuais ou ausentes. Como já disse o mestre Chico Science: "computadores fazem arte. Artistas fazem dinheiro". 

Toda essa embromação pós-moderna para dizer que não consigo escrever. Não consigo pensar. Tenho dificuldades em apreciar um filme como obra de arte - aqueles poucos que encantam pelas imagens e fotografia e fazem pensar pelo enredo meticulosamente pensado e estruturado. Ouço ainda muita música. Parei de buscar tantas bandas novas. Sinto que preciso de um espiríto de síntese, o que não significa cortar mais ainda o que se produz hoje, pelo contrário, seleccionar melhor o que ouço, leio, assisto. Pois se produz muito hoje, e justamente por isso estamos cada vez mais perdidos, sem referenciais, o que nos leva cada vez mais a consumir muito (leia-se baixar muitos discos, filmes, etc) e não entender nada.

Já escrevi demais para um post sobre a dificuldade em escrever. Falar sobre pós-modernizices é fácil, pois a própria pós-modernidade é um conjunto de definições absurdas sobre a dificuldade em se definir. 

Trilha Sonora: Nada Surf "The Weight is a Gift" album; Yann Tiersen & Shannon Wright.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Carta a um amigo triste

Para um amigo especial,

Hey, ela te deixou com o coração em pedaços novamente?
Destruiu aquilo de mais belo que você tinha?
Seus sonhos e aspirações,
Seu amor, sua confiança.

Eu falei, tu és um ingênuo
Que a alma humana padece.
Que os sonhos acabam.
A realidade transcende o poema.

Por que ela fez você acreditar neste sonho?
Fazer você viver uma mentira.
Jogar o seu jogo sujo.
Brincar com a sua vida.

Ela te trocou por si mesma?
Humanos são assim. Quando tudo se oferece, eles nada querem.
Quando você se abre totalmente, eles fogem.
Quando demonstra o que de mais puro você tem, recebe o nada como troca.

Você é virtuoso demais para estar assim.
Por muito tempo foi subjugado.
Aos poucos foi sendo destruído.
Covardes não dão o golpe final.

Você caiu, está mal.
Seu horizonte sumiu.
O dia de repente escureceu.
Deixa a noite passar, tudo ficará bem.

Eu sei que agora só há a dor.
Ressentimento, mágoas e o rancor.
E que o ódio te conforta,
o que era para ser o amor.

Você é forte, superará.
Você merece somente o melhor.
Não deixe-se abater. Ela não merece seu sofrer.
Você conseguirá. Todos acreditamos em ti.

Fica bem meu amigo.
Deixa as lágrimas surgirem. Deixa teu peito doer.
Agora só o tempo irá lhe curar.
E fazer com que você volte a ser a alma bela que era.

Trilha Sonora: Remy Zero, "Fair"; Modest Mouse, "Trailer Trash"; Nada Surf, "Inside of Love".