quinta-feira, 19 de maio de 2011

100 posts

Percebi agora que passei dos 100 posts no blog. Tudo começou em 21 de julho de 2005. Naquela época não sabia direito o que seria este blog. Escreveria contos? Poesias? Relatos auto-biográficos? Acabou sendo um pouco de tudo.
De início eu era o Psicoalcoolista - personagem que criei para dar conta de fundir realidade com ficção e, confesso agora, também uma maneira de não se expor tanto. É que também nunca gostei de blogs muito confessionais. Não interessa saber que o sujeito escovou os dentes às duas da tarde naquele fatídico dia. Tem que haver um algo mais.
É esse algo mais que persigo desde o início, esse caminho que vem sendo construído e que um dia eu gostaria que se chamasse literatura. Não é o simples relato da vida cotidiana, é uma construção, uma interpretação, uma tentativa de conseguir transmitir os afetos que nos transbordam no dia-a-dia. Preferi chamar de impressões -a tag mais utilizada nos posts. Chamei de memória, angústia e solidão. Marcas do subjetivo.
Por vez ou outra me arrisquei em contos e crônicas. Aliás, comecei com uma crônica que mais se parece com um conto de tão surreal que era. Na escrita um esforço para ser direta e subjetiva ao mesmo tempo - técnica que busco incansavelmente inspirado na associação livre freudiana. Era terapia também - e continua sendo.
Há a relação com a música também. Indispensável para compreender os textos. Em cada post uma inspiração musical, uma banda ou um álbum, ou apenas uma canção - que para eu muitas vezes exprimia mais  que o texto o que estava sentindo, mas que no geral servia para compor um recorte, um quadro da existência.
Nesses 5 anos muitas coisas aconteceram. Psicoalcoolista se tornou finalmente Luizfst. Era "um estudante de psicologia estagnado em sua estrutura obsessiva, que observava passivelmente a rica paisagem pós-moderna, tentando elaborar algo desta existência" - a descrição era mais ou menos essa. Hoje é Luizfst, psicólogo, professor universitário, futuramente noivo. Muita coisa mudou. Mas os textos conservam ainda sua essência: a de serem tentativas de elaboração da realidade, seja esta objetiva ou subjetiva, seja a da dor e sofrimento ou da alegria e contemplação. 
Parabéns "Contos Neuróticos Cotidianos", por ter sido meu fiel companheiro de tantas madrugadas e tardes insossas  e que agora, mesmo que sem tempo para se dedicar mais, continua a ser essa "via de escape" de um Real absurdo".

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Saudade


"And the same black line that was drawn on you
Was drawn on me
And now it's drawn me in
6th Avenue heartache"



Como pode minha saudade crescer quando te vejo?
E se tornar insuportável quando vou embora.
Como pode eu desabar quando mais queria te fortalecer?
Os olhos lacrimejarem, o peito estourar, a face se contorcer?

Foi uma semana longa, uma espera incontrolável
Uma viagem tranqüila. Um fim de semana doce como todos encontros com você.
Mas a partida, essa foi dura, eu tentei não parecer.

Dois dias foram pouco. Minha pele pediu mais.
Meu juízo desapareceu diante de sua beleza.
Contemplar sua ternura, compartilhar sua semana.
Como eu senti falta disto.

Senti falta do seu sorriso, do seu olhar de amor.
Do seu cuidado comigo, da sua alegria espontânea.
Senti falta do dia-a-dia mais comum possível.

Eu sei, é só uma fase, é uma transição para nossa vida a dois.
Eu também não esperava ser assim. Com isso só confirmei o que sabia:
Que te quero todo dia, que já não sou mais eu, somos nós.
E que metade de mim ficou lá e a vida é muito dura sem você.

É só saudade, eu sei. É muito mais.
Não sei explicar, não quero.
Vou tocando, te esperando.
Só assim, meio sem saber como, tudo passa.
E a saudade permanece...

Trilha Sonora: The Wallflowers "6th Avenue Heartache", do Album "Bring Down the Horses (1996)"

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Carta

Para Bruneco,


"Tanto tempo faz
Que li no teu olhar
A vida cor de rosa que eu sonhava
E guardo a impressão
De que já vi passar
Um ano sem te ver
Um ano sem te amar"



Erasmo Carlos - A Carta


Quase um ano se passou e a vida continua. Com um vazio ainda incômodo. É como se uma parte de mim houvesse se perdido em algum lugar que sei  que não encontrarei. É você. É a sua falta. Não caí a ficha, longe agora onde estou, infelizmente não caí. 
É impressionante como achamos superar sua perda. E logo constatamos que só tempo passou. E é assim que acontece. Viramos as costas e vivemos nossas vidas. De repente somos novamente confrontados com um buraco, que sempre estará lá. Nunca será preenchido. Não há o que substitua. 
Agora estamos novamente sendo confrontados com essa sombra. A sombra da morte. Queremos muito que ela passe longe. Estamos cansados, com as almas castigadas. A tua ausência repentina magoou demais. Cicatrizes ficaram. E elas estão frescas ainda. 
Será que vai acontecer de novo Bruneco? Espero que não. 


"Escrevo-te estas mal traçadas linhas,
por que veio a saudade visitar meu coração"

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Sábado

Uma semana estranha. Disco novo do Radiohead. Parece que cada disco deles é sinal do início de uma nova era (ou fase?). Pelo menos toda vez que entro em contato com um som novo deles faço o mesmo exercício de "sentir" o momento atual através do som. Sempre é uma viagem, radioheadiana com certeza.

Somos transportados para um novo mundo. Estranho de início, como qualquer primeira exploração. Angústia? Sempre. Confrontados com o "aquilo que não é mesmo velho", a mente apavora. Isso para aqueles que querem apenas o conforto, a certeza, a estabilidade. Quem é viajante ou "caminhante noturno" e acostumado a vagar sem saber o próximo rumo curte esta angústia. É aquela que lhe deixa incomodado, inquieto. Que porra é essa?

É assim, a vida é cheia de caminhos tortuosos. E quem não tem enjôo de curvas, decidas e subidas, embarca. Outros preferem o conforto e a passividade de ver o mundo passar tranqüilamente por seus olhos. Para esses, mais do mesmo. Sempre. Já para quem está disposto a viajar, conhecer o "estranho", se chocar com ele, odiá-lo de início para depois passar a amá-lo, boa sorte. Perdendo ou ganhando, sempre apreendemos. Agora fugindo e se refugiando, apenas o mesmo.

Só mais um sábado, mas viajando sem conseqüências com Radiohead. Easy Rider!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mulher

Aquele homem abusou de mim. Arrancou minha roupa, rasgou minha calcinha. Deixou-me nua naquela escuridão.

Invadiu meu corpo todo. O percorreu, centímetro por centímetro, com sua língua exploradora. Bebeu todo o meu líquido. E quando eu não agüentava mais, penetrou-me sem dó. A cada investida eu perdia um pouco de consciência – e de minha decência.

Eu já fui pura, juro que tentei. Até aquele dia nenhum homem havia me possuído assim. Eu não deixava – eles não eram capazes disso. Eu era toda “fechadinha”, orgulhava-me disso. Tão tímida.

Tentei ficar quietinha, nunca fui de escândalo, mas não suportei a intensidade. Gemia sem controle – e ele percebendo, aumentava a velocidade. Falava palavrões, chamou-me de todos os nomes sujos possíveis. Levei tapas, puxões de cabelo, mordidas em todo o corpo. Isso foi demais para mim. Começou com um leve tremor. Senti meu corpo todo amolecer, achei que ia morrer. Eu não tinha mais domínio sobre o meu corpo. Ele poderia fazer o que quiser de mim, pois não tinha força, nem vontade, de parar com aquilo.

Quando eu achei que tudo havia acabado, esparramada na cama - podia sentir todo o meu líquido saindo de dentro de mim - ele não havia terminado. Puxou-me pelo cabelo, o introduziu todo em minha boca. Senti-o pulsando. Parecia que ia explodir. Ele segurou minha cabeça e fez-me beber todo o seu néctar – era docinho. Deitei em seu peito e, pela primeira vez, senti-me mulher.