Uma semana estranha. Disco novo do Radiohead. Parece que cada disco deles é sinal do início de uma nova era (ou fase?). Pelo menos toda vez que entro em contato com um som novo deles faço o mesmo exercício de "sentir" o momento atual através do som. Sempre é uma viagem, radioheadiana com certeza.
Somos transportados para um novo mundo. Estranho de início, como qualquer primeira exploração. Angústia? Sempre. Confrontados com o "aquilo que não é mesmo velho", a mente apavora. Isso para aqueles que querem apenas o conforto, a certeza, a estabilidade. Quem é viajante ou "caminhante noturno" e acostumado a vagar sem saber o próximo rumo curte esta angústia. É aquela que lhe deixa incomodado, inquieto. Que porra é essa?
É assim, a vida é cheia de caminhos tortuosos. E quem não tem enjôo de curvas, decidas e subidas, embarca. Outros preferem o conforto e a passividade de ver o mundo passar tranqüilamente por seus olhos. Para esses, mais do mesmo. Sempre. Já para quem está disposto a viajar, conhecer o "estranho", se chocar com ele, odiá-lo de início para depois passar a amá-lo, boa sorte. Perdendo ou ganhando, sempre apreendemos. Agora fugindo e se refugiando, apenas o mesmo.
Só mais um sábado, mas viajando sem conseqüências com Radiohead. Easy Rider!
Eu já fui personagem. Eu já fui real. Hoje estou no caminho entre um e outro. Espaço para devaneios, reflexões, impressões subjetivas, construções meta-teóricas ou apenas uma forma de se aproximar do Real... ou de fugir dele. Literatura outsider, música e paixões.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Mulher
Aquele homem abusou de mim. Arrancou minha roupa, rasgou minha calcinha. Deixou-me nua naquela escuridão.
Invadiu meu corpo todo. O percorreu, centímetro por centímetro, com sua língua exploradora. Bebeu todo o meu líquido. E quando eu não agüentava mais, penetrou-me sem dó. A cada investida eu perdia um pouco de consciência – e de minha decência.
Eu já fui pura, juro que tentei. Até aquele dia nenhum homem havia me possuído assim. Eu não deixava – eles não eram capazes disso. Eu era toda “fechadinha”, orgulhava-me disso. Tão tímida.
Tentei ficar quietinha, nunca fui de escândalo, mas não suportei a intensidade. Gemia sem controle – e ele percebendo, aumentava a velocidade. Falava palavrões, chamou-me de todos os nomes sujos possíveis. Levei tapas, puxões de cabelo, mordidas em todo o corpo. Isso foi demais para mim. Começou com um leve tremor. Senti meu corpo todo amolecer, achei que ia morrer. Eu não tinha mais domínio sobre o meu corpo. Ele poderia fazer o que quiser de mim, pois não tinha força, nem vontade, de parar com aquilo.
Quando eu achei que tudo havia acabado, esparramada na cama - podia sentir todo o meu líquido saindo de dentro de mim - ele não havia terminado. Puxou-me pelo cabelo, o introduziu todo em minha boca. Senti-o pulsando. Parecia que ia explodir. Ele segurou minha cabeça e fez-me beber todo o seu néctar – era docinho. Deitei em seu peito e, pela primeira vez, senti-me mulher.
sábado, 27 de novembro de 2010
Sentir
Um corpo pulsa. Uma mente tenta negar o tempo todo. Tenta-se uma explicação lógica para algo que o próprio corpo tenta compreender. E não há. Razão - Sublimação. Não dá? Como sufocar o que estou sentindo agora. Não sou eu. Fantasma? Não. Nunca me abri para isto. Sempre fugi. Fugindo. Mas que porra é essa? Pode explicar-me?
Perdido. Dentro de mim. Desejo, desejo, desejo. Por que sou assim? A preço de que? Já quis ser tanta coisa. Hoje sou algo. Mas luto ainda, contra mim mesmo? Live and let die. Tudo caminha para algo tão certo. Mas alguém questionou o que é o certo?
Vagando dentro de mim sentimentos que nunca puderam ser experimentados. Como consegui por tanto tempo? Talvez há de vazar. E ai não há mais o que fazer, a não ser: somente sentir.
sábado, 20 de novembro de 2010
Só
Ultimamente as coisas andam tão estranhas... da vontade de nem escrever - e nem escrevi mesmo! Tenho a leve impressão de que quando não escrevo é porque a vida simplesmente andou... seguiu, aconteceu como deveria ter acontecido. Ou não. Só andou, e o maluco aqui não quis pará-la e perguntar: "what's happened my friend?
Ah sei lá. Estou em Curitiba agora. Terra da teoria e depressão. Mas estou bem! Como Porto União me fez bem... Ela não fez nada. Só eu resolvi buscar minha própria vida e deu certo. E não é que eu levo jeito para isso! - doce constatação. Ah se eu soubesse que ser feliz é legal assim, eu tinha pensado nisso antes. Só achei amigos. Achei alguém que me ame. Achei uma cidade que me quis. E precisa mais?
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Sós?
E o Sigur Ròs insiste em tocar. É a terceira música que o aleatório escolhe. Teve Radiohead antes. Mal indício? Volta a um passado não tão longínquo? O passado sempre é anacrônico, nunca se encaixa completamente ao presente, nem rende muitos links com o futuro. Essa construção sempre é única e própria. E nem sempre desejamos fazê-la.
O estar só ganha novo sentido. É físico, espacial. Não é mais uma escolha. Mesmo as vezes querendo. Muitas vezes é bom e é preciso. Acredita-se que sozinho é possível encontrar-se consigo mesmo. Nem sempre é assim. O outro é espelho e é tão difícil compreender isso. Só, tenho apenas a representação de mim mesmo. No outro é bem mais complicado. É sua própria voz reverberando após passar por um filtro. É sua imagem voltando para si vinda de um estrangeiro. Não tem escape. Já de si mesmo podemos fugir o tempo todo. Da demanda do outro não. Enfim, com o outro encontramos uma parte de nós mesmos que talvez não queiramos ver, mas ela não cessa de se mostrar, ao contrário do contato com nossa solidão que evita a todo custo nos expor... Talvez por isso muitos escolham a si mesmos, ou a solidão como preferem dizer.
Somos mais nós mesmos com o outro ou sozinhos?
Trilha Sonora: Sigur Ròs "Með suð í eyrum við spilum endalaust" Album.
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