domingo, 16 de dezembro de 2007

é

e outro ano se foi... toda minha angústia não pode se concretizar aqui. houve pouca angústia. isso é bom? sei lá. não escrevi nada esse ano. pouca angústia, pouco material. isso não significa que algo de bom não vai sair daqui. vou fechar um ano bom. estou devendo aqui. não aprendi a escrever sem com que me angustiar. estou apreendendo. só sei que esse blog só tinha um princípio, escrever sobre a vida cotidiana, e últimamente ela tem ido, tem sido, tem andado. a passos de formiga, mas tem ido. e ela tem sido tão bela... deixa ela ir . até onde puder. vai Vida.
Trilha Sonora: Guided by Voices: "Twilight Campfightere", from the album "Isolation Drills".

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A Vida

e a vida toma outros contornos. no seu lento desenrolar, aos poucos o que era tão distante e complexo se torna simples. o que te afligia, agora te alcança levemente, como um tapa de luvas, como algo que por muito tempo o incomodou, agora simplesmente faz parte de uma história. aí você se questiona: por que tanta dúvida se tudo se transforma assim tão rápido? sem ao menos uma reflexão terminar, algo novo surge e alimenta a vida, nesse ciclo interminável de fatos subsequentes ? viver. a única razão interminável, que não para um segundo, para que você ao menos dê satisfações. pra quê satisfações se a vida só continua? viver. a Vida.
Trilha Sonora: "Star Sign", Teenage Fanclub, from the album "Bandwagonesque".

sexta-feira, 27 de julho de 2007

o Outro

louco. dentro de mim, somente isso . é assim que me nomearam. é assim que me chamam aqui dentro. eu não sinto. eu não crio. eu somente reproduzo. eu vou até aonde vocês queiram. a minha imagem do passado, a minha idéia sobre isso... somente tende a se apagar. eu só vivo. e para mim basta. e para vocês: exista nessa porra de vida que te escolheram. só siga. só siga. só tente existir. um dia alguém irá escolher sua história como próxima lição de vida. alguém que naufragou em si e criou uma alternativa. somente viva.
Trilha Sonora: Xiu Xiu

quinta-feira, 26 de julho de 2007

I've been waiting for this moment

Ana caminhava vagarosamente pelo parque. manhã fria. céu azul de brigadeiro - como sua avó sempre comentava. havia geado aquela madrugada. Ana ficou envolta em suas cobertas rezando para que a manhã chegasse logo e o frio fosse embora. bobeira pensar isso em Curitiba, refletiu no parque. mas havia mais. ela esperava algo aquela manhã. algo que estava esperando por toda sua vida. ela acordara decidida a ver tudo de outra maneira. e a recomeçar a pensar toda sua vida diferente. queria libertar-se de tudo que a oprime. a não relevar todas as idiotices que já ouviu. a olhar o outro como referência e não como base. Ana estava em busca de si mesma. alguém que ela achava estar perdida em algum canto de sua própria alma, apesar de nunca ter sido assim. sentada em um banco, olhava para o lago esfumaçado pela neblina.
a vida havia se tornado um pouco amarga e dura para Ana, e ela sabia que muito de si havia se perdido. a doce menina do colegial que sonhava com o amor perfeito, e menina que papai a idolatrava por sua beleza e delicadeza havia se transformado em uma mulher realista e séria, que não mais se permitia sonhar. as viagens da infância, a ingenuidade do olhar, a leveza dos movimentos de seu corpo. ela sabia que isso tudo não retornaria. mas não poderia ela recuperar uma parte de si que a revitalizasse, que a afastasse desta maré de pessimismo e angústia?
a vida passeava com seu caminhar longo e oblíquo, oportunidades e chances estavam a cercando desde sempre. e agora Ana sentia que poderia ser ela mesma.
Trilha Sonora: Silversun Pickups "Lazy Eyes"; Grandaddy, album: "Just Like the Flambly Cat"; Elbow, album: "Cast of Thousands".

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Lembranças

Ele se sentiu tão sozinho naquela noite. Estava tão frio. Todas as luzes se apagaram. Deitou na cama e na escuridão se colocou a pensar. O que tinha ocorrido até ali. O que viveu sempre sem saber. Tudo era tão confuso. Lembrava de doces memórias da infância, de todos correndo sem saber para onde ir. Do bosque iluminado pelo feixe de luz, dos pinheiros cercando. Do cheiro de orvalho. Aquele dia fora tão bom. Que lembrança teve naquele dia. Tudo parecia brilhar. Da madrugada passada em branco. Das lembranças que correram livres, sem censura. Da época em que tudo era tão simples. Em que as coisas simplesmente aconteciam. Tudo corria sem sentido, e quem se importava com isso? Tudo acontecia sem expectativas, sem planejamento, sem saber... O mundo rodou, mudou, transcendeu... e ele ali, o mesmo. Agora tudo se transformara em algo complexo. Não foi ele quem mudou, somente o mundo que girou. E ele ali. Impassível, quieto, sem saber para onde ir , ou para onde pensar. Que mundo, que época. Que solidão às essas horas.

Trilha Sonora: Galaxie 500: "Blue Thunder"; "Tell Me".