quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

...

Eu ainda continuo buscando palavras para tentar descrever o meu sentimento agora. Um ano vai se aproximando de seu fim, e em um contexto que tudo foi diferente. Ainda procuro adiar o tradicional balanço, pois espero outros desfechos. A vida se mostra ainda incontornável em suas surpresas, sejam elas boas ou ruins. 

Busco trechos de músicas, fragmentos de textos perdidos em algum lugar do meu notebook, ou de minha mente perdida e solta em seus devaneios. Ando sonhando com coisas recentes, perdas que ainda não cicatrizaram totalmente. Ao mesmo tempo vislumbro um horizonte belo e possível, que vai de encontro aos meus planos e daquilo que sonhei. Tenho que me conformar com o passível e inadiável da vida, e ainda sim olhar para a frente e acreditar. As coisas vão indo assim, nesse ritmo meio incessante e quase incerto.

De tudo, tiro a lição de que aos poucos vou compreendendo coisas que posso nesse momento entender, e outras que em seu momento certo irão se revelar. Afinal viver é um eterno ensinamento, e, para isso, pausas e retrocessos serão necessários, assim como um tanto de fé inabalável naquilo que se acredita ser o percurso certo. E dessa forma, continuo apenas seguindo. E esperando.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

The Blower's Daughter

(Livremente inspirado em "The Blower's Daughter", música de Damien Rice)



Então é isso. Tudo acabou como começou. Uma brisa passageira, mas que me derrubou. A vida andava fácil para mim. Nada demais acontecia, porém tudo ia bem. Até você chegar.

Eu sei, eu não pude ser seu herói, nem construir seu castelo encantado. Não pude nem ser eu mesmo. Fiquei paralisado, com medo, e os meus olhos não saiam de você.

Apostei todas as minhas fichas, entreguei minha alma. Nada mais importaria, agora era tudo ou nada. Eu não conseguia tirar os olhos de você.

Minha mente se perdeu, as coisas ficaram confusas. Não acreditei que a história seria tão curta e que seus sentimentos eram como o vento. Desculpe, eu apenas quis fugir. Aquilo tudo seria demais para mim. E eu não seria digno de seu amor.

O tempo foi cruel, e quando quis voltar não havia mais nada. Eu sei que você não disse que tudo estava perdido, mas eu senti. E eu estava, e não conseguia parar de te olhar.

Mesmo longe eu a sentia. Vi você andar por ai. Procurava seu rosto em todas as mulheres. E foi assim, como um vento que passou. Ficaram as imagens e seu cheiro. A dor. E mesmo assim, eu não consigo parar de pensar em você. Até...



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Redemoinhos

Trilha Sonora para este Post: 
Sol no escuro by Fabio Góes on Grooveshark


A vida e seus redemoinhos. Movimentos que vão e voltam, nos jogando quase sempre ao centro, e algumas
vezes às beiradas. Ao centro tudo é mais tranquilo. Vê-se tudo e tem-se a impressão de se estar no controle. E às vezes é uma mesmice só.

Mas é na beira que se entra em contato com outros corpos, com o estranho. Pode-se chocar com outros redemoinhos e desse encontro surgir algo novo. Saí-se do conforto do centro, desestabiliza-se.

Tem dias que quero apenas ficar em meu centro. Não quero nada e ninguém perto de mim. Deixe-me apenas estar aqui e permanecer. A angústia trava qualquer movimento. Parece menos doloroso, a sensação é de estar mais protegido, mais distante de possíveis rotas incertas. Mas corre-se o risco de estagnar, ficar preso a um mundo certo, porém limitado. A mesma angústia que te trava alerta para o risco da morte. 

Se ficar é fácil, sair não é tão simples. Procurar caminhos, rotas e possibilidades se faz necessário. É incômodo, as vezes o redemoinho te joga longe, e com muita força. O choque com o desconhecido pode ser brutal. Mas é preciso enfrentar os riscos e aceitar o que vier. Caso contrário resta apenas ver o mundo girar à sua volta.

Trilha Sonora: "Sol no Escuro" - Fabio Góes; "Venus in Furs" - The Velvet Underground.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Da Existência à Essência


Entre sonhos e devaneios vou tentando achar o que há de real em mim, 
onde no meio disso tudo eu simplesmente existo. 
Realidade torta e malfadada.

Há no cotidiano um misto de complacência e entrega ao simples devir. 
Reflexão. Por quê? E para o quê?
A vida simplesmente insinua possíveis caminhos, deixando-nos à livre escolha. 
Há realmente apenas uma opção que possa ser escolhida? 

Caminho entre fendas aleatórias e caminhos pré-estabelecidos. 
A cada tropeço volto atrás e penso: não poderia ter sido diferente? 
E se naquela queda eu tivesse escolhido apenas cair e entregar-se? 
Quando devo reconhecer que foi uma derrota e devo aceitar? 

Vida cheia de respostas não dadas.
A experiência supera a essência, até onde? 

Há uma natureza da qual eu fujo e sempre acabo voltando. 
Posso realmente acreditar? 
Dúvidas que servem apenas para tentar fundamentar o que já está dado.
Dependerá do que eu puder conciliar e até certo ponto conformar.


Trilha Sonora: "Hey You" - Pink Floyd; "Talking Shit About Pretty Sunset" - Modest Mouse; "Paper Boats" - Nada Surf.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ao Nada

Tento escrever sobre um vazio que de tempos em tempos abate-me.
Uma vontade que remete ao nada, 
à ausência de todo e qualquer sentido.
É a inércia do corpo somada ao desejo de esvaziar a mente.

Pode ser uma luta, mas uma luta sem razão ou motivos.
É algo como um querer ser o que não se é,
ir contra uma natureza que as vezes se demonstra impassível.

Deve haver alguma essência ai,
mas não é ela que se busca conhecer.

Busca-se fugir.
Não corresponder a este lugar que de alguma forma lhe foi conferido,
seja por seu desejo,
seja pelo trágico destino.

Desejo agora, apenas, apagar.
Desaparecer, nem que seja por um mísero instante.
Sustentar isso que não sei o que é, pesa.
E muito.

Saudades dos momentos de leveza,
de sonho e imensidão.

Agora apenas o silêncio
e um desejo que não cede ao real.