Para um amigo especial,
Hey, ela te deixou com o coração em pedaços novamente?
Destruiu aquilo de mais belo que você tinha?
Seus sonhos e aspirações,
Seu amor, sua confiança.
Eu falei, tu és um ingênuo
Que a alma humana padece.
Que os sonhos acabam.
A realidade transcende o poema.
Por que ela fez você acreditar neste sonho?
Fazer você viver uma mentira.
Jogar o seu jogo sujo.
Brincar com a sua vida.
Ela te trocou por si mesma?
Humanos são assim. Quando tudo se oferece, eles nada querem.
Quando você se abre totalmente, eles fogem.
Quando demonstra o que de mais puro você tem, recebe o nada como troca.
Você é virtuoso demais para estar assim.
Por muito tempo foi subjugado.
Aos poucos foi sendo destruído.
Covardes não dão o golpe final.
Você caiu, está mal.
Seu horizonte sumiu.
O dia de repente escureceu.
Deixa a noite passar, tudo ficará bem.
Eu sei que agora só há a dor.
Ressentimento, mágoas e o rancor.
E que o ódio te conforta,
o que era para ser o amor.
Você é forte, superará.
Você merece somente o melhor.
Não deixe-se abater. Ela não merece seu sofrer.
Você conseguirá. Todos acreditamos em ti.
Fica bem meu amigo.
Deixa as lágrimas surgirem. Deixa teu peito doer.
Agora só o tempo irá lhe curar.
E fazer com que você volte a ser a alma bela que era.
Trilha Sonora: Remy Zero, "Fair"; Modest Mouse, "Trailer Trash"; Nada Surf, "Inside of Love".
Eu já fui personagem. Eu já fui real. Hoje estou no caminho entre um e outro. Espaço para devaneios, reflexões, impressões subjetivas, construções meta-teóricas ou apenas uma forma de se aproximar do Real... ou de fugir dele. Literatura outsider, música e paixões.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Across the Universe
Questionado uma vez por que era tão só, Jonas respondeu: “somente dentro de mim encontro alguma compreensão. O mundo se apresenta complexo demais para mim”.
Em seu apartamento, discos de Jazz, livros de filosofia, litros de vodka. Um quadro de John Malkovich. Jonas era escritor, escrevia textos que só ele compreendia e que os críticos interpretavam como “metáforas da vida cotidiana pós-moderna”.
Circulava pelos meios artísticos em busca de bebidas e, se possível, uma transa com alguma tiete acadêmica de Letras da UFPR. Não era bonito, se vestia mal, mas tinha algum estilo e um ar de quem não quer nada da vida. Isso atraía certas mulheres que buscavam preencher o vazio existencial de suas vidas mesquinhas.
Em uma festa de lançamento de um livro de poesia concreta, uma garota se aproximou enquanto ele sorvia a sétima dose de martini. - Que bosta esses drinks, não há vodka por aqui? – pensou.
- Li o seu último livro. Você tem uma compreensão absoluta da alma feminina...
- É? Não sabia disto.
- Além de lindo é modesto? Que graça...
- Você está com alguém? Quer dar uma volta?
Jonas acordou com uma puta ressaca. Sua última lembrança era comprando uma garrafa de vodka no Mercadorama com uma garota. Acordou só. A moça deve ter vazado. Encontrou um cigarro pela metade no cinzeiro, acendeu e foi até a janela. Os dias começam estranhos quando se acorda sem saber como foi dormir.
Uma batida na porta. Era Sonia, uma amiga prostituta que morava no andar de baixo e que às vezes aparecia para fumar um. Jonas não curtia maconha. Mas sempre comprava. Gostava que Sonia aparecesse para trocar algumas palavras.
Ele a considerava brilhante. Era bonita, desenvolta, tinha uma visão obscura da vida, era totalmente irônica com tudo. Caiu na vida quando seu marido, um rico empresário paulista, a abandonou com sua filha e foi morar com uma linda garota que chegara do interior.
- E ai, como foi sua noite? – perguntou Sonia.
- Não lembro. Pelos rastros, uma garrafa de vodka e alguma companhia feminina que deve ter fugido em alguma hora da madrugada. E você?
- Fiz 500 ontem. Acordei em um apê no Mercês com mais uma garota e um velho pançudo.
- Já paga o alguel.
- É.
Jonas já fora casado. Viveu quatro anos com Ana. Foram os melhores anos de sua vida, pelo menos para ele. Ana nunca se sentira satisfeita ao seu lado. O considerava muito jovem, um imaturo. Frente ao impasse de Jonas em ter um filho, o abandonou e foi curtir a vida. Casou com um engenheiro quarentão e hoje vive bem no Rio. Nunca mais se falaram e após o ocorrido Jonas se fechou e caiu no mundo.
Sonia só confiava em Jonas para cuidar de sua filha, a doce Beatriz. Muitas vezes a deixava com Jonas quando saía batalhar. Quando ele cuidava de Beatriz não bebia. Nem fumava para não prejudicá-la. Mesmo quando esteve afundado no pó Sonia confiava nele, pois ele não usava nada quando estava com a menina. Jonas tinha um amor quase paternal por ela. Porém a cuidava com uma atenção metódica, evitando toda e qualquer forma de envolver-se. Sonia o compreendia. Aliás, a única.
- Eu quero dormir abraçada com você.
- Por que Sonia?
- Porque me sinto só, me abraça?
Dormiram abraçados. Jonas ficou por horas acordado sentindo o calor do corpo de Sonia. Lembrou de Ana. Da forma como o abraçava, da segurança que ele sentia passar. Sonia dormia leve, alguns suspiros e a sensação de que naquele momento ela respirava livre. Sentiu lágrimas escorrem em seu peito. Ela só queria aquele momento de conforto. Jonas só queria suas lembranças novamente. Era só o que ele tinha.
Em seu apartamento, discos de Jazz, livros de filosofia, litros de vodka. Um quadro de John Malkovich. Jonas era escritor, escrevia textos que só ele compreendia e que os críticos interpretavam como “metáforas da vida cotidiana pós-moderna”.
Circulava pelos meios artísticos em busca de bebidas e, se possível, uma transa com alguma tiete acadêmica de Letras da UFPR. Não era bonito, se vestia mal, mas tinha algum estilo e um ar de quem não quer nada da vida. Isso atraía certas mulheres que buscavam preencher o vazio existencial de suas vidas mesquinhas.
Em uma festa de lançamento de um livro de poesia concreta, uma garota se aproximou enquanto ele sorvia a sétima dose de martini. - Que bosta esses drinks, não há vodka por aqui? – pensou.
- Li o seu último livro. Você tem uma compreensão absoluta da alma feminina...
- É? Não sabia disto.
- Além de lindo é modesto? Que graça...
- Você está com alguém? Quer dar uma volta?
Jonas acordou com uma puta ressaca. Sua última lembrança era comprando uma garrafa de vodka no Mercadorama com uma garota. Acordou só. A moça deve ter vazado. Encontrou um cigarro pela metade no cinzeiro, acendeu e foi até a janela. Os dias começam estranhos quando se acorda sem saber como foi dormir.
Uma batida na porta. Era Sonia, uma amiga prostituta que morava no andar de baixo e que às vezes aparecia para fumar um. Jonas não curtia maconha. Mas sempre comprava. Gostava que Sonia aparecesse para trocar algumas palavras.
Ele a considerava brilhante. Era bonita, desenvolta, tinha uma visão obscura da vida, era totalmente irônica com tudo. Caiu na vida quando seu marido, um rico empresário paulista, a abandonou com sua filha e foi morar com uma linda garota que chegara do interior.
- E ai, como foi sua noite? – perguntou Sonia.
- Não lembro. Pelos rastros, uma garrafa de vodka e alguma companhia feminina que deve ter fugido em alguma hora da madrugada. E você?
- Fiz 500 ontem. Acordei em um apê no Mercês com mais uma garota e um velho pançudo.
- Já paga o alguel.
- É.
Jonas já fora casado. Viveu quatro anos com Ana. Foram os melhores anos de sua vida, pelo menos para ele. Ana nunca se sentira satisfeita ao seu lado. O considerava muito jovem, um imaturo. Frente ao impasse de Jonas em ter um filho, o abandonou e foi curtir a vida. Casou com um engenheiro quarentão e hoje vive bem no Rio. Nunca mais se falaram e após o ocorrido Jonas se fechou e caiu no mundo.
Sonia só confiava em Jonas para cuidar de sua filha, a doce Beatriz. Muitas vezes a deixava com Jonas quando saía batalhar. Quando ele cuidava de Beatriz não bebia. Nem fumava para não prejudicá-la. Mesmo quando esteve afundado no pó Sonia confiava nele, pois ele não usava nada quando estava com a menina. Jonas tinha um amor quase paternal por ela. Porém a cuidava com uma atenção metódica, evitando toda e qualquer forma de envolver-se. Sonia o compreendia. Aliás, a única.
- Eu quero dormir abraçada com você.
- Por que Sonia?
- Porque me sinto só, me abraça?
Dormiram abraçados. Jonas ficou por horas acordado sentindo o calor do corpo de Sonia. Lembrou de Ana. Da forma como o abraçava, da segurança que ele sentia passar. Sonia dormia leve, alguns suspiros e a sensação de que naquele momento ela respirava livre. Sentiu lágrimas escorrem em seu peito. Ela só queria aquele momento de conforto. Jonas só queria suas lembranças novamente. Era só o que ele tinha.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
In Rainbow
Para um anjo...
Você viveu em nossos corações e mentes por muito pouco tempo.
Tempo suficiente para encher a todos de alegria e esperança.
Num mundo cada vez mais cinzento e obscuro, uma porta parecia abrir-se e iluminar o caminho de todos.
Vivemos em tão pouco tempo um sonho cheio de cores e matizes.
Você nem existia e mesmo assim tua presença era tão forte.
As cores do arco-íris indicavam um pote de ouro.
Esse lindo presságio onírico de repente se acabou.
Tão breve quanto surgiu.
Dias cinzentos em pleno verão colorido o antecederam e pareciam anunciar: o sonho acabou.
Doce sonho vivido tão intensamente em nossos corações e mentes.
A esperança de dias melhores foi frustrada com um golpe cruel do Real.
As nossas fantasias permanecem lutando contra a realidade dura e seca.
Nossos sonhos ainda sobrevivem para amenizar a dor que estoura o peito e teima em surgir.
Nossas esperanças recuaram, mas ainda vivem e nos mantêm vivos.
Em nossos corações e mentes você continua a existir.
A semente que tu plantastes ainda vai brotar e florir, nos enchendo com toda a beleza e alegria.
Dias melhores irão de surgir.
E tua lembrança surgirá para provar que a vida persiste.
Como no lindo sonho colorido que um dia vivemos.
Agora, só dor, melancolia, e a doce esperança que nos acalma,
e nos faz sonhar contigo novamente.
Da chuva que cairá como brisa, e do sol renascendo atrás das nuvens
surgirá o arco-íris.
Vidrar Vel Til Loftarasa
Sigur Ros
Deslizo para a frente através da minha mente, penso metade do tempoao contrário.
Vejo-me a cantar. A canção que escrevemos juntos. Tivemos um sonho, tivemos tudo.
Fomos até ao fim do mundo, fomos à procura.
Subimos arranha-céus que depois explodiram, já não havia paz.
Perdi o balanço e caí para trás.
Deslizo para a frente através da minha mente, volto sempre ao mesmo lugar.
Silêncio sem resposta.
A melhor coisa que Deus criou é haver todos os dias um novo dia
Trilha Sonora: "Videotape", "Go Slowly", "Last Flowers", "Nude", do álbum In Rainbows, Radiohead. "Vidrar Vel Til Loftarasa", Sigur Rós.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Insônia
sem ter o que escrever. sem ter o que pensar numa hora dessas. imaginar coisas que eu poderia estar fazendo é demente. ou planos que simplesmente surgem sem o mínimo de convicção de que serão realmente planos. pensar sobre o imaginável torna-se agora ridículo. a realidade é que muito pouco torna-se algo concreto. e isso é um fato. não que não se possa sonhar. sonhos são ótimos quando se tem alguma idéia de que se possam concretizar. já sonhei apenas, por sonhar. mas ultimamente os sonhos têm sido simples escapes, fugas para aquilo que não se quer que se concretize. então é melhor escrever sobre o que se está vivendo, mesmo não sendo nada de interessante.
férias. tempo remoto e livre. tempo de se sentir inútil. sentimentos obessssivos. eu sei que posso ficar por muito tempo sem fazer nada, ou prolongar o tempo que eu quiser para simplesmente não fazer nada. mas isso é banal. eu tendo a pensar que não, mas é. para quem tem na maior parte do tempo um pensamento utilitário, mesmo achando que não. que se foda. nessa hora não quero pensar em mais nada. o álcool percorre minhas veias e pede para deixar de pensar em qualquer coisa.
deixe-se levar. quanto é duro seguir uma lei tão natural. o corpo pede, as vezes implora. mas a mente insistentemente nega. renega. oprime. por que deixar-se levar? burro! se tu podes simplesmente imaginar? mente burra. corpo frágil. de tudo o que se pensa somente 15% se concretiza. mas para a razão é o que basta para tornar-se verdade. para a estatística, arma da razão, não se faz necessário que se aplique ao todo, somente uma projeção basta. simples projeção daquilo que se imagina ser o todo. ou que seja possível provar estatísticamente.
deixar o corpo ir, a mente fluir, em espaços nunca antes imagináveis. deixar ser. como ser. simplesmente ser. função inimaginável da pobre mente, que pode tudo, e realiza pouco.
sonhos loucos, mente insana, vinho correndo pelas veias. tudo se passa rapidamente, antes de sumir num vazio. o vazio de que não se pode controlar, o da mente que teme simplesmente enlouquecer. que ao invés de criar, se apaga, e deixa este velho vazio a percorrer. sem tentar ao menos, reproduzir-se. tão mais fácil deixar-se entregar ao vazio, velho embolorado que teme em criar-se.
entregue-se a suas mais loucas idéias e tente fugir do mesmo, daquilo que o tempo tende a criar, sem querer, e que é o seu rastro, sua impregnação, a sua própria marca que lhe faz sobreviver: o registro. o tempo que se estagna sem ao menos se dar conta de sua existência, e que se faz, memória daquilo que já passou.
Trilha Sonora: Silversun Pickups "Melatonin"; O Grande Encontro "Eternas Ondas"; Sigur Ròs "Viõrar Vel Til Loftárasa"; "Untitled 5".
domingo, 16 de dezembro de 2007
é
e outro ano se foi... toda minha angústia não pode se concretizar aqui. houve pouca angústia. isso é bom? sei lá. não escrevi nada esse ano. pouca angústia, pouco material. isso não significa que algo de bom não vai sair daqui. vou fechar um ano bom. estou devendo aqui. não aprendi a escrever sem com que me angustiar. estou apreendendo. só sei que esse blog só tinha um princípio, escrever sobre a vida cotidiana, e últimamente ela tem ido, tem sido, tem andado. a passos de formiga, mas tem ido. e ela tem sido tão bela... deixa ela ir . até onde puder. vai Vida.
Trilha Sonora: Guided by Voices: "Twilight Campfightere", from the album "Isolation Drills".
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